'Daqui a pouco volta o samba, basta trabalhar', diz músico do Revelação
21/08/2018 15:53 em Música

foTO: DIVULGAÇÃO

 

    

28/07/2018 ÀS 11:39 ATUALIZADO EM 28/07/2018 ÀS 11:50

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

 

Ser um dos nomes fortes do samba e fazer sucesso após um quarto de século eram sonhos nem cogitados quando nasceu o Revelação. 

Quem o diz é Mauro Júnior, um dos membros-fundadores do grupo carioca que faz show grátis neste domingo (29), na zona leste de São Paulo. 

"Antes era trabalho com cara de hobby: só queríamos tocar na noite", diz o músico, responsável pelo banjo. "Não temos noção do que atingimos nem queremos ter; assim, não muda nossa tranquilidade." 

Completam o núcleo da banda Rogerinho (tantan), Beto Lima (violão), Sérgio Rufino (pandeiro) e Davi Pereira, ex-vocalista do grupo Sambaí. 

Ao vivo, também há Michel (bateria), Lilito (cavaco), Guto (percussão) e Rogério (baixo). 

Parte do projeto Domingo na ZL, da Fiesp e do Sesi-SP, a apresentação deste domingo divulga o disco mais recente, "O Bom Samba Continua - Ao Vivo 2", lançado em junho. 

O show também é anunciado como celebração dos 25 anos do Revelação, mas nisso resta certa indefinição. 

O primeiro disco veio só em 1999, mas os fundadores já atuavam juntos no samba autoral carioca desde meados dos anos 1980, e há quem crave o surgimento em 1994. 

A incerteza não se estende à genealogia; como outros expoentes do samba carioca, o grupo nasceu de rodas, como o Pagode dos Boleiros, na zona norte do Rio, e tem conexão com alas de compositores das escolas de samba da cidade. 

Derivado dos sambas de mesa, o estilo da banda favoreceu-se por 20 anos da voz do cantor Xande de Pilares. 

O atual vocalista, Davi, substituiu-o em 2015, um ano após Xande sair em carreira solo. 

Num período inicial, dividiu vocais com Almirzinho, filho de Almir Guineto (1946-2017), do Fundo de Quintal, que logo partiria em carreira própria. 

Davi restou só, mas com as bênçãos dos ex-cantores, em especial o amigo Xande. 

No novo repertório, um dos destaques é a parceria com o Roupa Nova, com quem interpretam "Canção de Verão", sucesso do grupo de pop rock. 

Mas que o ecletismo não engane: apesar de reler artistas de outros gêneros, o Revelação não esquece as raízes estudadas nos subúrbios do Rio. 

"Não temos nada contra a mistura, mas tem que ser dosada. Gravamos algumas do Djavan, por exemplo, sem perder nossa característica nem ofuscar a dele", explica Mauro. 

A despeito do foco em temas mais jovens, o grupo não negligenciará sucessos mais antigos, como "Samba de Arerê". 

Devem pintar também clássicos do cancioneiro nacional, como "Deixa Acontecer". Ela mesma, do refrão "Deixa acontecer naturalmente/ Eu não quero ver você chorar". 

O retorno à capital paulista após quase dois anos será o 23º de impressionantes 24 shows da banda em julho. 

A maioria foi no Rio, mas houve apresentações também em MG e até no Canadá. 

Agenda cheia, plateias lotadas, fãs regozijados; nada mal para expoentes de um estilo que, especula-se, perdeu terreno para o sertanejo e o funk. 

Escaldado pelas mais de duas décadas protagonizando o negócio da música no Brasil, Mauro se mostra tranquilo: 

"Normal. Daqui a pouco vem o samba novamente. Tem lugar pra todo mundo, basta trabalhar e esperar sua vez". 

Fonte: Folhapress

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