Você sabe qual a diferença entre os nomes Samba e Pagode ?
18/10/2018 13:13 em Cultura

imagem: Bigstock

Em um vídeo popular na internet, gravado durante uma das edições do programa Altas Horas um rapaz da plateia perguntou a Zeca Pagodinho qual era a diferença entre o pagode e o samba. O cantor respondeu, ou melhor, não respondeu a pergunta, dizendo que se tratava de uma “pergunta velha”. Pois bem, então a pergunta é velha, mas qual é a resposta? É menos simples do que parece.

Para começo de conversa, qualquer denominação de gênero musical é problemática. Isso por que todo artista tem um estilo próprio. Por exemplo, beira ao ridículo pensar que artistas tão diversos quanto Elvis Presley, Iron Maiden e Coldplay, podem ser assimilados dentro do gênero “rock”. São todos diferentes e a categoria às vezes serve somente para ofuscar o que há de único em um artista. No final das contas, a nossa necessidade de encaixotar música dentre esses gêneros, trata-se de uma necessidade mercadológica. Isso é feito para informar o consumidor, para chegar a ele com o que ele já sabe que quer. Quando o mercado separa as músicas nessas categorias, ele está inferindo que se você gosta de Edi Rock, você provavelmente vai gostar de Criolo. Se você gosta do Péricles, vai gostar do Samprazer. E por assim vai…

As palavras “samba” e “pagode” foram criadas antes do mercado fonográfico. Em seu sentido original, ambas significavam mais do que um estilo de música. “Pagode” foi o nome dado por negros brasileiros a um tipo de festa onde se fazia folia, dançando, comendo, conversando e, é claro, tocando música. “Samba” também tinha um significado mais amplo e compartilhava com “pagode” essa conotação de folia que se estende para mais do que apenas a música em si. A palavra também comportava dança, brincadeira e tudo mais que se relaciona a folia e divertimento. A diferença se dá de várias maneiras. Uma é que pagode tinha uma conotação mais objetiva em relação a uma festa, um evento palpável. Quando se dizia que estava em um pagode, se falava de uma festa, com horário e endereço. Já o samba era uma palavra que descrevia um tipo de atividade, uma aura, um humor, que, sem dúvida, se tinha nas próprias festas de “pagode”. Essas diferenças foram se desenvolvendo mais ainda com a criação do mercado fonográfico e a disseminação da música.

A palavra “samba” foi tomada por executivos para rotular a música. Tacaram-lhe a denominação em tudo quanto é disco de artista diferente. O termo foi pegando. Nos anos 50, você podia ouvir um disco do paulista Adoniran Barbosa, ou do carioca Noel Rosa, esses artistas distintos, e era tudo samba. Com o passar dos anos, o samba foi criando seus “subgêneros”. Isso é, se falava em samba enredo, partido alto, bossa nova, etc. Foi só no final dos anos 70 e começo dos 80, quando houve uma revitalização do samba de roda carioca, liderado principalmente pelo grupo Fundo de Quintal, que o termo “pagode” tomou o significado que conhecemos hoje. Com a popularidade do Fundo de Quintal, outros grupos acabaram surgindo e convinha aos marqueteiros (e os grupos também), que dessem um nome novo à coisa, para se distanciar da conotação de “antigo” que o samba carregava. Escolheram uma palavra que já era usada, ou seja, que tinha a sua autenticidade. Decidiram chamar de pagode.

Fonte: Site Show Livre

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